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CÂMARAS ESPECIALIZADAS

Workshop da Elétrica faz sucesso e pode ser levado ao Fórum em outubro


Coordenador da CEEE, Eng. Ind. Eletr. e Seg. Trab. Célio da Silva Lacerda, na abertura do workshop

Na última sexta-feira (31/08) a Câmara Especializada de Engenharia Elétrica do Crea-SP realizou na Sede Angélica, para cerca de 50 conselheiros, o workshop “Fontes de Energias Renováveis e Segurança no Trabalho com Eletricidade”, apresentando quatro palestras sobre assuntos de grande atualidade no setor: “O novo marco regulatório do setor elétrico brasileiro e seus impactos para as fontes renováveis”, ministrada pelo Eng. Antônio Celso de Abreu Jr., Subsecretário de Energias Renováveis do Estado; “Energia Solar: Solução Técnica para Geração e Distribuição de Energia Fotovoltaica”, com Ramon Nuche, Diretor de  Planejamento Estratégico da Sunergia, empresa de engenharia especializada em projetos de energia solar; e “Interpretação, Aplicação e Fiscalização da NR 10” e “Análise da Exposição ao Risco de Arco Elétrico”, com o Eng. Aguinaldo Bizzo de Almeida. Também participou do evento o membro do setor pericial do Ministério Público do Trabalho em São Paulo – MPT-SP, Gilberto Sebastião Carletti. “Diante da qualidade do conteúdo apresentado e da excelente receptividade que tivemos junto aos conselheiros, vamos fazer todo o possível para levar esses assuntos emergenciais em uma futura sessão do Fórum Conjunto das Entidades de Classe e Instituições de Ensino do Crea-SP, no Plenário do Conselho, com mais tempo para as palestras e para um número maior de profissionais” – adiantou o Eng. José Valmir Flor, Diretor Técnico-Adjunto do Crea-SP.


Público de cerca de 50 Conselheiros participa de evento na Sede Angélica do Crea-SP

Na abertura da primeira palestra, o Eng. Antônio Celso, que atualmente é Subsecretário de Energias Renováveis do Estado de São Paulo e membro suplente do Conselho Estadual de Meio Ambiente (CONSEMA), afirmou: “O objetivo desta palestra é conscientizar o maior número possível de profissionais sobre a necessidade do Brasil se adaptar à velocidade da Geração 4.0, uma vez que veio para ficar”. O Subsecretário de Energias Renováveis do Estado explicou que “a tecnologia avança muito rápido e não temos tempo a perder”, citando a transformação pela qual passou o setor de transporte em apenas 13 anos, “da tração animal para os motores a combustão”.


Subsecretário Estadual de Energias Renováveis, Eng. Civ. Antônio Celso de Abreu Jr., lança a pergunta: "Por que as tarifas são tão altas”?

Antônio Celso é formado em Engenharia Civil pela Universidade Estadual Paulista –UNESP, possui mestrado em Ciências pela Escola Politécnica de São Paulo – POLI-USP e em sua palestra no Crea-SP lembrou aos participantes que “grandes nomes da tecnologia do nosso tempo erraram ao profetizar que não havia chance de sobrevivência para o iPhone ou que seu impacto na sociedade moderna seria mínimo”. “O que devemos fazer – continuou o palestrante – é aprender com os erros e compreender que estamos entrando num período de disrupção tecnológica, para nos transformarmos em profissionais disruptivos, tomando parte nas decisões de um Estado disruptivo”.

Para concluir sobre a extrema necessidade de os poderes público e privado adotarem políticas de investimento em sistemas de captação de energias renováveis, o engenheiro discorreu sobre a verticalização do setor elétrico brasileiro. Segundo Antônio Celso, a capacidade instalada do sistema interligado nacional ainda depende de hidrelétricas e termoelétricas, com suas alternativas a gás, GNL, diesel, carvão e usinas nucleares. As energias eólica e solar, além de outras produzidas a partir de biomassa, vem-se incorporando rapidamente a esse sistema, mas o palestrante adverte: a rede energética básica ainda é constituída de hidrelétricas cujos modelos remontam à década de 1950. “Será que esse sistema está se comportando bem, atendendo aos interesses da população? Por que as tarifas são tão altas”? – pergunta o engenheiro.

“Nossa energia armazenada começou a cair por volta de 2010” – indicou o palestrante em sua apresentação. Seu questionamento continua quando se refere à questão dos reservatórios. “Eles são as nossas baterias – lembra Antônio Celso – e elas vêm sendo consumidas em alta escala, por exemplo, pela agropecuária. Estamos perdendo carga e temos de nos perguntar: temos de construir reservatórios”? Segundo o engenheiro, “temos de pensar em planejamento para não sofrermos mais com a imprevisibilidade de preços”.

O custo da imprevisibilidade de preços, pago em grande parte pelo consumidor, está na casa dos 70 bilhões de reais – cerca de 40 bilhões na conta da imprevisibilidade hídrica, 10 bilhões pela privatização de distribuidoras e mais 20 bilhões de empréstimos tomados por essas empresas. “Sem contar talvez a mais grave das consequências: a perda de competitividade”.

Antônio Celso também mencionou o grave problema da legislação brasileira para o setor. Segundo seus dados, de 1995 a 2013 o Brasil sofreu 578 alterações nas leis nos do setor elétrico, enquanto no mesmo período a Grã-Bretanha realizou 6 mudanças e o NordPool – antigo nome do  mercado único de energia financeira para a Noruega, Dinamarca, Suécia e Finlândia – ateve-se a apenas duas mudanças.

O subsecretário estadual de Energias Renováveis sugere para o setor uma política pública de incentivos – com redução de impostos, isenção e leilões divididos por fontes, por exemplo.

“É dever dos profissionais do Crea-SP – advertiu Antônio Celso – discutir esses assuntos agora, para aprimoramento do marco regulatório”. A solução, segundo Antônio Celso, é possível por meio de compromissos de reforma e elementos de coesão, medidas de destravamento, racionalização na alocação de custos e medidas de sustentabilidade e de desjudicialização. “Temos de começar a discutir isso de forma técnica e com base em muito planejamento” – concluiu o palestrante.

Energia solar pelo mundo


Diretor de Planejamento Estratégico da Sunergia, Ramon Nuche ressaltou que o “potencial da matriz solar no Brasil é enorme"

Dando continuidade aos trabalhos, Ramon Nuche ministrou palestra com o tema “Energia Solar: Solução Técnica para Geração e Distribuição de Energia Fotovoltaica”, com análise sobre os cenários global e nacional de mercado.  A produção de energia solar corresponde apenas a 0,7% da matriz energética do Brasil, enquanto na Alemanha a produção do mesmo gênero corresponde a 7,6% do total energético nacional. Segundo o palestrante, o “potencial da matriz solar no Brasil é enorme, fora outras vantagens, como a economicidade do sistema, a priorização da autoprodução e o baixo investimento em distribuição”. Em um dos momentos de participação do público, Nuche foi questionado quanto à viabilidade de se instalar o sistema em Entidades de Classe. Em resposta, ele afirmou que a implantação de painéis de energia solar nas Associações de Profissionais reflete diretamente em economia financeira com energia elétrica, com repasse dos valores entre os associados.


Conselheiro Eng. Eletric. Paulo Takeyama pergunta a Ramon sobre a instalação de painéis solares em Associações Profisisonais

Os riscos da má atuação profissional

Conselheiro da CEEE, Eng. Eletric. Aguinaldo Bizzo de Almeida foi o último a se apresentar no workshop, com as palestras “Interpretação, Aplicação e Fiscalização da NR 10” e “Análise da Exposição ao Risco de Arco Elétrico” sobre a relação do profissional com o seu ambiente de trabalho. Ambas as apresentações partiram de um ponto em comum: a NR 10, norma que estabelece os requisitos e condições mínimas para medidas de controle e sistemas preventivos que garantam a segurança e a saúde dos trabalhadores que, direta ou indiretamente, interagem com instalações elétricas e serviços com eletricidade.


Conselheiro Eng. Eletric. Aguinaldo Bizzo de Almeida: "objetivo da NR10 é proteger todos os trabalhadores que interagem com as instalações e sistemas elétricos”

Na primeira das duas apresentações, Bizzo explanou sobre o Sistema Elétrico de Potência – SEP, conjunto de instalações e equipamentos destinados à geração, transmissão e distribuição de energia elétrica, incluindo a medição, e acerca do conflito de interesses entre Regulação Social – adoção de atos normativos por meio dos quais os órgãos governamentais estabelecem exigências que devem ser cumpridas pelos agentes econômicos e cidadãos – e a Normalização Técnica – documento estabelecido por consenso e emitido por um organismo reconhecido, com regras, diretrizes ou características para produtos, serviços, bens, pessoas, processos ou métodos de produção, cujo cumprimento não é obrigatório.

Aguinaldo destacou ainda a responsabilidade dos contratantes em instruir, por meio de procedimentos e medidas de controle contra os riscos elétricos, os trabalhadores quanto aos riscos a que estão expostos. Como exemplo, o conselheiro lembrou-se de uma empresa que permitiu o acesso de um BAI (pessoa comum) a áreas sem os devidos EPIs.

Para o conselheiro, o objetivo das medidas de controle previstas na Norma é “proteger todos os trabalhadores que interagem com as instalações, mesmo na realização de outras atividades, mas igualmente expostos aos perigos inerentes à proximidade com sistemas elétricos”.

Na segunda palestra, Aguinaldo Bizzo detalhou o histórico e a evolução da NR 10; reforçou a importância da segurança em instalações elétricas e serviços com eletricidade, e da atualização da Norma; apontou as ações fiscais – Termo de Notificação, Ato de Interdição, Multa e Embargo – aplicadas em caso de descumprimento da NR 10; e encerrou sua participação apresentando ao público o cenário do setor neste ano: predominação de empresas contratadas e a precarização da mão de obra.

Produzido pelo Departamento de Comunicação e Eventos do Crea-SP – DCEV
Reportagem:
Jorn. Guilherme Monteiro.
Fotos: Claudio Porto - estagiário de jornalismo.


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